segunda-feira, 10 de outubro de 2011

É Big. É Big. É Big...



Eu estou em falta com vocês. Estou devendo a coluna do aniversário da Luna. Minha princesa fez um ano dia 21 de setembro, mas comemoramos o aniversário dela no dia 24 de setembro, com uma festinha. Foi algo beeeem simples, para a família e pessoas que mais me ajudaram neste um ano. Por mais que a vida de mãe solteira seja cheio de apertos, a pensão que recebemos (quando vem) é irrisória e ter ficado desempregada alguns meses, eu tive que fazer uma comemoraçãozinha por dois motivos: um para agradecer quem mais esteve por perto e deu carinho não só a mim, mas a minha filha – quero agradecer em especial a minha ex-babá, Eva, que hoje cuida da Luna. Dois, para marcar esta data. Um ano. Foram 12 meses conhecendo o valor da palavra incondicional, acordando durante as madrugadas, mesmo as mais frias de inverno, aprendendo o que eram as cólicas, refluxo e afins. Dei de cara com a solidão e tive que a encarar de frente pois eu era a responsável pela vida da minha filha tinha que dar assistência a ela. Chorei muitas vezes por estar sozinha em casa e sem ter para quem pedir: “Segura ela um pouquinho, enquanto eu vou ali fazer xixi e beber água?”. Tudo isso, entre tantas outras situações me fizeram e continuam me fazendo uma mulher melhor e mais preparada para as próximas adversidades da vida. Por estar aqui, inteira, bem, feliz com meu bebê, eu não podia deixar a data passar em branco. Minha irmã, Cris, produtora de festas da Fábula e Arte, veio do Rio de Janeiro e trouxe lembrancinhas lindas, minha madrasta Elaine fez os docinhos e bombons. Todo mundo colaborou.

Mas, na semana da festinha, uma sensação estranha tomou conta de mim. Eu estava triste porque o Mr. Pai não estaria lá. Hoje eu realmente não sinto mais nada por ele, graças a Deus. Eu não sei dizer quando, em que momento, mas o meu sentimento que me fazia querer tentar, formar uma família com ele, estas coisas, ficou perdido em algum lugar neste um ano. Afinal, foi o abandono durante a gravidez, as declarações por outra na minha frente enquanto eu estava grávida e, depois que nossa filha nasceu, faltou uma postura madura. Comigo e com a minha família. A parte “boa” é que eu também não carrego mágoas, ódio, nem nada parecido. Mr. Pai é e sempre será o pai da minha filha.

Logo antes da festa, eu fiquei chateada porque, apesar de hoje ainda incomodar com “chatices” ele é presente na vida da Luna, mas nossas famílias nunca irão se aceitar. Depois de palavras ditas, atitudes (não) tomadas e outras ações desnecessárias, meu pai não aceita mais falar com ele, nem o quis na festa da Luna. Minha amiga e mãe solteira Nina me disse: “Você não ia gostar do cara que fizesse Luna sofrer”. Verdade. Naquele momento, percebi que minha filha terá sempre duas comemorações no aniversário dela. Uma da família materna e outra da família paterna. Pensei muito em cancelar a comemoração, em não fazer este “apartheid”, mas a minha filha vai ter que crescer sabendo da historia dela. Gostaria muito de oferecê-la uma festa com papai e mamãe, mas estou dando o melhor que eu posso. “É Big. É Big. É Big...”


8 comentários:

  1. Vc é uma mãe solo de primeira <3 E sua filha, uma princesa abençoada com tanto amor! Alegrias mil as aguardam!

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  2. Mônica Schunck de Oliveira10 de outubro de 2011 06:26

    Parabéns Flavinha! No primeiro ano do nosso bebê a festa é nossa, não tem jeito. Precisamos comemorar todas as barreiras que enfrentamos, as noites mal dormidas, o desespero com o choro dos filhotes nas primeiras semanas de vida... Vc é uma guerreira, um exemplo para todas as mães solteiras ou sozinhas. Muitas felicidades para vc e a Luna. Bjs

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  3. Esses sentimentos pré-aniversário de 1 ano também me invadiram. Tanto que, a despeito de toda a indeferença do pai do meu filho, eu fui procurá-lo. No fim das contas, ele não veio, como vc sabe.
    Acho que a nossa grande tarefa como mães solteiras é superar as idealizações e aceitar a vida como ela é: real e cheia de saias-justas.
    Semana passada a escolinha do João pediu que eu mandasse uma roupa do papai pra uma brincadeira que ia ter lá.
    Agora, me responde: o que faz uma mãe solteira (de menino) numa hora dessas?
    Mandar roupa do pai que ainda está aqui?
    (Pééé. Resposta errada. Dei sumiço nas últimas peças há tempos.)
    Mandei uma peça do padrinho, que ele adora. E ele participou numa boa da brincadeira.
    Enfim.
    O duro é perceber que nossa vida não é como a gente sonhou.
    E o bom é perceber que ela é maravilhosa assim mesmo!
    E, na boa, sendo bem egoísta: todos os carinhos e todas as gracinhas do meu filho são minhas.
    "EU TE-NHO, VOCÊ NÃO TE-EM!"

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  4. Lindo depoimento e maravilhoso blog ...sou filha de uma mãe-divorciada-solteira com uma história parecida com a sua , com vários agravantes : úncio namorado , casamento de 7 anos , pé na bunda comigo com 1 ano ...
    Mas lá se vão 34 anos e estou aqui : criada , encaminhada , amada ...vai tudo dar certo viu ?

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  5. Ah , quanto às 2 festinhas : relax ...eu tinha uma em casa materna e outra na casa da avó paterna ou do "pai" (ênfase nas aspas) ...mas curtia muitoooooooooooooooooo mais a festinha simplesinha da minha mãe do que os "luxinhos" do "pai" ( aspas novamente) .
    No final , o que conta mesmo é o amor ...e isso sua filha tem de sobra !

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  6. Ao que pude perceber as festinhas de 1 ano, sempre nos invadem com sentimentos dos quais nos deixam, angustiadas, e com vários porquês???? No aniversario da minha pequena, apesar de todo desentendimento com o pai dela, e de seu distanciamento físico e financeiro, esqueci tudo isso e convidei pessoalmente ele e sua família, levei minha pequena para entregar seu convite em mãos ao papai, avós e titios, e no dia da festa aguardando para cantar os parabéns, ligo para saber e tenho uma unica resposta " não vou, nem eu nem minha família". Fiquei por alguns momentos em estado de vegetação, tentando entender inúmeros porquês, como e etc, mas volto a realidade quando vejo minha pequena, minha Sophia, pulando no pula pula, danado gargalhadas de felicidade, e logo esse mesmo sentimento deixei que tornasse meu também, ele não tinha o direito de tirar o brilho da festa linda maravilhosa que eu, sozinha mais uma vez, tinha preparado a ela. E la fui eu, pular com ela no pula pula, me deliciando com a pessoa do qual tenho amor sem medidas.

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  7. Olás, me supreendi com esse blog e ao ler vários comentários a impressão que tenho é a de que a história se repete não só qto ao comportamento deles, mas tb o nosso. O sofrimento é o mesmo, a busca por respostas e até mesmo a sublimação, a tentativa de superar a realidade difícil "não pisando na bola" e sendo ainda mais decente e educada mesmo nao tendo "ele" sido conosco, tudo parece igual. Minha filha, Isadora tem hoje um mês. O pai dela, cujo nome já nem tenho estômago para pronunciar teve um comportamento no mínimo imoral e lastimável. Fez de tudo para ficar comigo, correu atrás e depois de 5 meses de namoro intenso resolveu que não queria mais. No mesmo dia passei mal e descobri que estava grávida. Durante toda a gravidez me senti com baixa estima, provocada por ele, esqueci quem eu era e como minha gravidez era de risco a dificuldade foi maior. Hoje estou mais forte, ainda magoada, mas não me sinto mais num beco sem saída como antes e sei que dou conta sozinha. Como vcs acho que não podemos contar com uma ficção, nem idealizar a realidade. Também não podemos nos sentir culpadas. Aconteceu, "escolhemos" mal e agora é bola pra frente. Outra coisa: tratá-los excepcionalmente bem não nos fará mães melhores. Basta não sermos medíocres como eles foram e educadas apenas e tão somente pq nossos filhos merecem. Nada mais que isso não acham? Se quiserem me add no msn f_alcantara@hotmail.com acho que compartilhar experiência ajuda a superar esses momentos difíceis. abços. Fernanda

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  8. Sabe, Flávia, eu cheguei aqui meio que por acaso, navegando entre blogs. Engraçado que um dia desses eu estava pensando em um blog para mães solteiras e, por coincidência - ou não - eu encontrei o seu... Sei exatamente o que você está passando - ou passou. Sou mãe e crio a minha filha com ajuda dos meus pais. E sei exatamente onde dói. Sei exatamente os apertos diários que passamos, as ausências, a solidão que é imensa e cheia de fronteiras; que só faz a gente se sentir menor. Os malabarismos para trabalhar, sustentar, educar. Os malabarismos para juntar filha e pai. Sei o que é uma família inteira magoada com o pai da sua filha pelo tratamento que ele deu a você - a mãe - e de certo modo, a ela também. Conheço essa história de ponta a cabeça. A minha é assim... Fui abandonada na gravidez (aos seis meses de gravidez) e depois quando ela nasceu, ele pediu para voltar e quatro meses depois da gente ter ido viver junto, ele disse que não queria mais de novo. Foi a pior experiência que eu vivi até hoje, e não desejo o que passei à ninguém, porque foi HORRÍVEL. O primeiro aniversário da minha filha, a festa aconteceu, mas era como se nada fizesse sentido. Ele sequer quis ajudar, mas estava lá com a família toda, como se a festa fosse deles também. Esse ano, quando ela completou dois anos, fiz um bolinho na escola e em casa só para amigos mais próximos e a família, que ela reconhece como família. Enfim... O que eu tenho a lhe dizer é: Somos pessoas de alma generosa, sim, porque conseguimos separar o bom do ruim e transformar tudo mais em amor. Esse amor incondicional que muitos dizem sentir, sem conhecer verdadeiramente o seu significado, nós conhecemos. Porque por amor às nossas filhas convivemos até com quem não merece a nossa companhia, tampouco, estar, pisar no mesmo lugar que pisamos. Sabe, eu consigo até sorrir e ser educada... E só sobrevivi por causa da minha borboleta. Foi por ela que eu consegui levantar após a queda e cuidar da minha vida.

    Vou adicionar um link lá no meu blog para não perder os seus passos. Adorei aqui e é muito bom estar perto de quem entende o tamanho da nossa dor, quando ela dói.

    Beijos e até breve

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