segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pós-Maternidade

Ontem eu estava lendo um artigo e caiu como uma luva. Falava do apego ao bebê após o parto e do quanto é difícil voltar às atividades depois do nascimento do filho. Claro, acredito que existem mulheres menos "desapegadas". Também acredito que existem mulheres que conseguem fazer - e sentir - tudo ao mesmo tempo. Palma para as últimas.

Eu não estou neste clube. Senti imensa dificuldade de voltar à rotina no pós-parto. Eu morava sozinha e voltei para minha casa com um bebê no colo. Dormíamos sozinhas. De manhã, a babá ia me ajudar e à tarde estávamos sozinhas de novo. Ficamos três meses em uma rotina alienante - e alienadas. Eu só queria saber se aquele choro era cólica, o umbigo ainda não tinha caído..... etcetcetc.

Quando voltei da licença maternidade, pensei que precisava de um emprego que me desse mais ânimo e retorno R$. Me atirei em uma proposta "irrecusável" de trabalho. Mudei de cidade, de apê.... Estava lá mas não conseguia me concentrar. Fui literalmente massacrada. Parece que um caminhão passou por cima de mim.

Incompetência? Não. Quando saímos da maternidade estamos mais vulneráveis, parece que "perdemos o foco", ou temos que dividi-lo. Eu voltei a escrever e parecia que estava saindo do gesso após alguns meses paralisada. Voltei a estaca zero, sem emprego, com um bebê nos braços.

Tudo bem, estou pronta para outra. Ou quase. O que percebo é que mulheres super competentes já se sentiram incapazes de exercer suas faculdades intelectuais nesta fase da vida. A diferença é que as mães casadas podem dar-se ao luxo de alienar-se e o marido faz a ponte entre o mundo lá fora e a casa, mãe e bebê. Com as mães solteiras é diferente. Não existe uma figura disponível para fazer este papel.

Além disso um outro pensamento ronda a nossa cabeça e fica piscando. Esta luzinha vai aumentando conforme o bebê vai crescendo. "Será que ainda sou aceita como mulher? Será que ainda sou uma mulher desejável? E agora, o que vai ser de mim?", era o que eu pensava nos primeiros dias/meses pós parto. Afinal, o pai da minha filha não me quis e eu não sabia onde colocar a minha sexualidade, nem se ela ainda existia.

Mas isso é assunto para outros posts...


4 comentários:

  1. É, Flávia...
    Não é fácil quando a gente tem que ser tudo!
    Hoje eu choro por muito pouco, ou quase nada. Não que eu tenha endurecido demais, mas porque aqui dentro de mim tem uma mistura louca de fragilidade e força... Meu pequeno já tem três anos, mas ainda me sinto assim, muitas vezes, numa zona entre o mundo lá fora e a maternidade!
    Mas sei qeu chegaremos lá.
    Beijo,
    Cinthya

    http://odivaadellas.blogspot.com

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  2. Flácia
    como a Cintia me sinto assim tb!!!
    bjssssssss

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  3. Me sinto muito só e cada dia mais apegada a minha filha!Força pra você!Tudo vai dar certo!

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  4. ´E exatamente assim que nos sentimos. Ainda por cima, nos dias de hoje, já sofri preconceito a partir de comentários do tipo "Imagina! Que horror? Grávida e sem aliança?", de uma gestante casada e inchada feito uma porca... Falou olhando pra mim e sabendo que eu não tinha ninguém. Pois bem. Isso prova o quanto ela pode ser medíocre e nós somos guerreiras, pois uma mulher que AINDA pensa assim, achando que casamento é garantia de alguma coisa, dificilmente será capaz de criar seu filho sozinha. Temos mais é que ter orgulho de fazermos papel de dois! Temos valor! E muito valor! Beijinhos e sempre FORÇA!

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