sábado, 28 de maio de 2011

Os primeiros sons

Anda há pouco Luna, antes de dormir, balbuciou uns sons. "Babá-Babá-Mama-Mama-Babá-Babá-Mama-Mama..."
Primeiro, eu fiquei perplexa, afinal, entendi minha filha chamando: "Papai e Mamãe-Papai e Mamãe..." tão nitidamente que deixou meu coração acelerado, eu fiquei meio zonza... e a primeira coisa que eu queria gritar é: "Mr. Pai, vem aqui! Escuta isso!!". Óbvio que fiquei na vontade e pus meu bebê para dormir dizendo a ela o quanto a amo e é especial para mim.
Mas tinha que dividir com alguém e vim para o blog <3

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tem dias que ainda quero gritar "Me leva?"

O blog me dá um retorno imensurável: as leitoras. Nada como o feedback das leitoras.

Quem me acompanha sabe que estou passando por uma situação delicada para quem tem 31 anos, é mãe solteira... Já fui independente, morava sozinha quando engravidei e hoje estou desempregada e voltei a morar temporariamente na casa do meu pai. Tenho que pensar primeiro na infra-estrutura da minha filha antes de aceitar qualquer emprego, tenho que avaliar muito antes de dizer "SIM" a qualquer proposta (apesar da vontade de fazê-lo) e por a mochila debaixo dos braços. Agora também tenho que carregar uma filha!

Tive um probleminha pessoal ontem e foi bom poder contar com o pai da Luna. Todo o carinho que faltou durante a gravidez hoje ele sabe dar à filha. Eu fui entregá-la no portão de casa e vi os dois partirem, de carro. Ele conversava com ela. Ela olhava para ele.
Eu queria sair correndo atrás do carro e gritar: "Me leva! Ei, vocês esqueceram de mim!".

Oooops!! Corta para a realidade, Flavia!
Ele está sendo um bom pai para a Luna, mas ele não é meu pai. Ele tem carinho, vai na escolinha e briga para participar da vida da filha (o que vejo com bons olhos). É difícil não misturar os sentimentos. Até hoje eu pago o "ônus" de ter tido um pai à distância que sempre se empenhou em mandar dinheiro para meu bem-estar. Mas quantas vezes eu só queria ter um pai que me colocasse no carro e conversasse comigo?
Contei isso para uma amiga e ela me perguntou: "Como você faz pra não chorar ou não pedir 'me leva!'?". Quem disse que, inconscientemente, eu não estou como uma menininha na frente do portão, pedindo "Me leva?"

terça-feira, 24 de maio de 2011

Hello!

Oi gente!!
Tou meio sumida, sorry!!
A verdade é que estou tentando me desdobrar em 1001: mãe, escritora, frila, blogueira, jornalista procurando emprego...
Esta semana a minha pequena grande Luna fez oito meses. Quando ela era pequenininha, recém-nascida eu a achava muito frágil, tinha medo de "quebrar" e não via a hora do meu bebê ficar um bebezão... Pronto! Agora eu tenho medo dela virar uma mocinha!!
Ela está muito esperta :)
Ela já senta e fica brincando com os "cacarecos" (por exemplo agora enquanto escrevo o post)... Daqui a pouco começa a caminhar! E quando chegar a hora de falar: "Tchau, mãe! Vejo você depois! Beijo, Fui!".
Céus :)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Pensão 2

Ontem foi a primeira audiência para resolver a pensão alimentícia da minha filha, Luna. Também resolvemos a guarda e dias de visitas. Nossa, saí tão esgotada de lá que parecia que um caminhão tinha passado por cima de mim.

Claro, a guarda é minha. Sobre a pensão... Nossa!! Nem dá para imaginar o valor oferecido. Pior é a empresa em que o Mr Pai trabalha dar um contracheque bem diferente daquele compatível à renda mensal dele. Mas... "Brasil, meu Brasil brasileiro...."

Esta semana recebi um email de uma leitora do blog que me perguntou o que eu achava da maternidade independente, ou seja, de uma mulher buscar a inseminação artificial para realizar o seu desejo de ser mãe. Sinceramente, o episódio de ontem me fez pensar muito. A mãe que optar por este projeto nunca terá que discutir com o banco de sêmen pela guarda, pelas visitas e nem pela pensão.

Não haverá sempre alguma mágoa do relacionamento que poderá ser passado para a historia da criança, se não for bem elaborada. Vocês não irão discutir quem irá batizar o bebê. Você não terá que ficar cuidando se falam assim ou assado do Mr Pai na frente da sua filha para não influenciá-la. Vocês não irão concordar sempre sobre a educação ou religião dela.

Todas historias tem seus prós e contras. Basta nós decidirmos qual o nosso Happy End com nossos babies!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sim, nós fazemos a DIFERENÇA!

Ontem eu estava conversando com uma mãe solo como eu e ela desabafou: “Flavia, é tão difícil pra mim não ser casada com o pai do meu filho... é confuso... não fazer parte do normal...É estranho fazer parte do diferente”.

Eu perguntei a ela o que é “normal”? Acho tão subjetivo esta definição de normal. Mas entendo minha amiga mãe solo porque me questionei inúmeras vezes como ia ter minha filha sozinha quando estava de barrigão. Hoje abri o livro “A Psicanálise na Terra do Nunca – Ensaios sobre a fantasia”, do Mário e Diana Corso para ajudar a pensar sobre o tema.

No livro, os autores que são psicanalistas abordam um assunto que eu concordo: existem muitos casais que estão juntos em nome dos filhos e acabam oferecendo um lar sem amor, uma relação sem admiração mútua entre os pais e isso pode ser um prejuízo ainda maior para as crianças.

“Um lar frio, sem emoção, transmite uma vida de ‘obrigação’ e isso pode ser uma herança nefasta, que cria uma descrença nos laços afetivos. Nesses casos, leva-se uma vida que segue apenas na inércia, sem um desejo genuíno que engate estes filhos a qualquer coisa, afinal, a lição que tiveram é: viver em família é suporta-se tristemente”, afirmam os autores.

Para ser sincera, acredito mais em uma família diferente e fora do “padrão” e verdadeira do que em poses vazias dignas de fotos para revista “cor-de-rosa”. O nosso mundo é colorido e tem todas as cores, inclusive o preto e branco!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mãe Solo

Mães solo e simpatizantes,

Eu tenho uma novidade para vocês: www.maesolo.com.br. Isso mesmo, meu novo site. Na verdade não é só um site. É um site-livro onde irei aprofundar os textos do blog e um lugar onde vocês poderão interagir de forma mais direta através dos Depoimentos.

A literatura de mamãezinha, o famoso “mom lit”, está em alta no mercado literário americano na forma de romances e (ainda) não existe nenhum livro ou publicação destinado a grávidas e mães solteiras. O “Mãe Solo” surge com objetivo de suprir este espaço.

Eu vou escrever "Mãe Solo" em tempo real e as pessoas que colaborarem com uma "vaquinha" que estou fazendo, poderão acompanhar com exclusividade a criação e opinar enquanto o livro é escrito. Para participar, só é preciso fazer uma doação no valor mínimo de R$ 5,00 através do site http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=36721.

O doador receberá uma senha para entrar com exclusividade no endereço que será criado para "Mãe Solo". Vou deixar o livro aberto até o dia 10 de julho próximo. A partir desta data, só entra quem tiver contribuído com a Vakinha. Ao final, disponibilizarei o "Mãe Solo" para download gratuito para os colaboradores.

O que acham da ideia?


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mãe é mãe e solteira é um estado de espírito - Por Roseane Santos *

Para falar a verdade, eu cresci com uma certa implicância na expressão, ou denominação, não sei .."mãe solteira”. Como a minha mãe não casou e de certa forma eu percebia que ela tinha vergonha disso. Parecia uma coisa pesada, negativa, que trazia um certo sofrimento. Acho que era algo que se procurasse no dicionário seria “mãe solteira”- criatura destinada a cuidar de um filho sozinha, ser mãe e pai, ser discriminada pela sociedade. O que falar de mim ? Nossa, acho que ainda seria pior. Eu era a conhecida “filha única de mãe solteira”. O pior de tudo. Toda vez que alguém falava isso era para descrever que não teria mais filho, como somente aquele cidadão que engravidou a primeira vez a tal “criatura” pudesse fazer outra criança nela.

Como assim?? Para tudo!! Primeiro, mãe é mãe, solteira, separada, casada, mal casada. Acho que hoje em dia, realmente a visão já mudou um pouco. Pelo menos, nos grandes centros, onde as atrizes, empresárias e demais mulheres independentes anunciam que terão um filho do “namorado”, ou até quem sabe de um amigo. Marido? Não nem sempre é necessário. Acho mais jogo ter um pai, que mesmo em outra casa, ame sua cria, visite, cumpra com seus deveres.

Bem, existe aquele caso também de pai desconhecido, que não vê, pede o DNA vendo que a criança é sua cópia e no máximo só liga para encher o saco e fazer cobranças do tipo. “ Esse garoto está magro, acho que você não dá mamadeira na hora certa”. Legal não é ? Muitas vezes até vem aquela vontade de perguntar: “ Realmente não dou mamadeira para ele e você dá dando leite para quem enquanto eu acordo de noite para ver se ele está com febre? Enfim, esse pai desconhecido é melhor que fique desconhecido mesmo de uma tal forma que se ele te cumprimentar no meio da rua você olhe e fale: “ Vem cá?? Te conheço?"

Agora tenho que falar um pouco como filha também. Pai faz falta. Eu senti, confesso. Ter um filho sozinha por opção, tudo bem. Só que falando como filha, eu não iria privar a criança se realmente o pai desejasse ver, beijar, levar para passear no domingo. Eu tive uma figura de pai através de uma mulher, minha avó. Ela é quem dava as ordens na casa, gerenciava o dinheiro, era a tal figura forte. Parece que realmente existe sempre um espírito paterno que se aproxima e protege. Afinal de contas, como falam Nossa Senhora é a mãe de Jesus e Deus é nosso pai. Então sempre teremos um pai.

Agora ...mãe não é solteira ou casada. Mãe é colo, intuição e um amor cheio de erros e acertos. Sou solteira, não sou mãe. Carrego no peito esse instinto comum em muitas mulheres, que é cuidar dos amigos e transformar todos que gosto em filhos. Por isso, posso falar, FELIZ DIA DAS MÃES...esse é o nosso dia..

Beijos

Roseane Santos, minha amiga e amiga do blog.

Rose acompanhou toda a gestação da Luninha à distância, com muito carinho e sempre disposta a me escutar. Obrigada por este presente :)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pós-Maternidade

Ontem eu estava lendo um artigo e caiu como uma luva. Falava do apego ao bebê após o parto e do quanto é difícil voltar às atividades depois do nascimento do filho. Claro, acredito que existem mulheres menos "desapegadas". Também acredito que existem mulheres que conseguem fazer - e sentir - tudo ao mesmo tempo. Palma para as últimas.

Eu não estou neste clube. Senti imensa dificuldade de voltar à rotina no pós-parto. Eu morava sozinha e voltei para minha casa com um bebê no colo. Dormíamos sozinhas. De manhã, a babá ia me ajudar e à tarde estávamos sozinhas de novo. Ficamos três meses em uma rotina alienante - e alienadas. Eu só queria saber se aquele choro era cólica, o umbigo ainda não tinha caído..... etcetcetc.

Quando voltei da licença maternidade, pensei que precisava de um emprego que me desse mais ânimo e retorno R$. Me atirei em uma proposta "irrecusável" de trabalho. Mudei de cidade, de apê.... Estava lá mas não conseguia me concentrar. Fui literalmente massacrada. Parece que um caminhão passou por cima de mim.

Incompetência? Não. Quando saímos da maternidade estamos mais vulneráveis, parece que "perdemos o foco", ou temos que dividi-lo. Eu voltei a escrever e parecia que estava saindo do gesso após alguns meses paralisada. Voltei a estaca zero, sem emprego, com um bebê nos braços.

Tudo bem, estou pronta para outra. Ou quase. O que percebo é que mulheres super competentes já se sentiram incapazes de exercer suas faculdades intelectuais nesta fase da vida. A diferença é que as mães casadas podem dar-se ao luxo de alienar-se e o marido faz a ponte entre o mundo lá fora e a casa, mãe e bebê. Com as mães solteiras é diferente. Não existe uma figura disponível para fazer este papel.

Além disso um outro pensamento ronda a nossa cabeça e fica piscando. Esta luzinha vai aumentando conforme o bebê vai crescendo. "Será que ainda sou aceita como mulher? Será que ainda sou uma mulher desejável? E agora, o que vai ser de mim?", era o que eu pensava nos primeiros dias/meses pós parto. Afinal, o pai da minha filha não me quis e eu não sabia onde colocar a minha sexualidade, nem se ela ainda existia.

Mas isso é assunto para outros posts...