segunda-feira, 4 de abril de 2011

Let it be

Há exatamente um mês eu tecia planos, com as malas empacotadas, para um novo "desafio" em Florianópolis a fim de tentar um novo emprego. Eu tinha um emprego estável no interior há dois anos como correspondente, trabalhava em casa, era um jornal de grande circulação naquela região de SC, mas eu queria mudar de ares e recomeçar a minha vida após a gravidez solteira. Resolvi pedir demissão.
Troquei o certo pelo incerto. Até porque o "incerto" apresentado não era tão vago assim. Havia vagas e eu tinha qualidades para preencher os requisitos necessários para aquela função. Mas, como diz a piada, se um dia você quiser fazer Deus morrer de rir, é só contar a Ele sobre os seus planos. Procurei apê e babá. Trouxe Luninha...
Não deu certo com a babá, a adaptação foi difícil, meu coração ficou apertado inúmeras vezes e pensava que estava fazendo aquilo para o nosso bem. Afinal, minha filha depende de mim e, se eu conseguir crescer profissionalmente, posso dar mais conforto a ela.
Chegava exausta, mas brincava com minha filhota. Nada mais delicioso que aquele sorriso banguela gritando BÚH. Acordava mais exausta ainda após as noites mal-dormidas às seis horas da manhã com ela querendo conversar. O BÚH virava gritos sonoros e conversas prolixas indecifráveis. Apesar disso, batíamos altos papos e depois tirávamos um cochilo.
Depois, eu fazia a papinha para minha bebê e brincávamos mais um pouquinho até a babá chegar, ao meio-dia. Eu pulava para o banho e ia correndo trabalhar. Almoço? Não, não dava tempo...
Tentei fazer uma adaptação aqui, aparar uma pontinha dali, puxar papo com um colega acolá... Nada com muito sucesso. Peço uma dica, uma fonte, um telefone...
Depois de um mês, escuto que não estou pronta para trabalhar nesta função. Senti como se eu fosse, por alguns momentos, uma babá qualquer, sem referências encontrada em um anúncio de classificados.
Tive um insight e percebi que estava perdendo os segundos mais preciosos da formação emocional da minha filha. Com certeza, não será esta passagem que fará a diferença na minha vida.

De resto, o que importa é estar junto com minha filha. Não me interessa acumular cargos, crachás e pele bronzeada de lâmpada fosforescente de escritório.
Let it be, deixe acontecer.

9 comentários:

  1. Coragem, Flávia!!! Força pra vc!
    Tô ansiosa p ver o resto da história.

    Beijos!

    Verônica

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  2. eu morro com essas interrupções no ápice da história! =)
    Flávia querida, o que quer que esteja acontecendo, não se esqueça de que isso é uma fase... ;) Força na peruca, continuamos na torcida!!!

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  3. amiga, às vezes a vida nos encaminha para as melhores direções sem que a gente perceba... O que vc disse no final, que percebeu que estava perdendo preciosos momentos da formação da Luninha por conta deste emprego, me deixou confiante de que sair foi uma boa coisa! Confie nos seus instintos e boa sorte sempre! Outro emprego virá, e tudo vai ficar bem...

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  4. Oi querida, estou de blog novo e tbm te seguindo

    beijos no coração

    LAn

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  5. Admiro muito a sua coragem. Não é fácil, né, passar por coisas assim, ainda mais quando se tem uma mega responsabilidade como uma filha pequena.
    Acontece que temos forças pra continuar, sempre teremos.
    Te desejo só o melhor, sempre.

    Muitos beijos.

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  6. oi , cheguei ao seu blog faz algumas semanas, mas nem sei como. Li um pouco da sua história e fiquei admirada com sua coragem de vir pra Florianopolis (também moro aqui e sei como viver aqui não é fácil, ainda mais sem família por perto como seu caso). Mas enfim, não fique triste não, as vezes as coisas acontecem sem que tenhamos sequer imagino que algo pudesse dar errado, mas veja, nada sem solução. Muitas portas ainda se abrirão pra vc, e as coisas vão acabar se ajeitando de uma forma ótima pra Vc e Luna. Bjs Simone

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  7. Flavinha, minha irmã querida, não vai ser isso que vai te derrubar, depois de tanta coisa que passou...estou aqui sempre, amo vcs..bjos

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  8. Você é um exemplo de força e superação! Mesmo sem te conhecer, te admiro!!

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